14 janeiro 2008

Não te gosto em Silêncio


Estou de volta...
Mas quando penso encontrar as palavras para escrever algo genuino, sentido... Quando parece estar a encontrar as palavras certas para exprimir o que me emudece a alma... Encontro as palavras que, afinal, não saberia dizer...
Aqui fica:

"Não te gosto em silêncio porque te sinto distante...
Entre tua boca e a palavra mora talvez minha angústia
como entre o dia e a noite
vacila a longa dúvida do crepúsculo.

Não te gosto em silêncio, quando há em teus olhos, pousados,
dois estranhos pássaros noturnos,
e teus lábios emudecem como a fonte nos ásperos
e intermináveis invernos.
Não te gosto em silêncio quando te envolves com as coisas
que te cercam, como se fosses uma delas,
quando estás como as águas paradas, cuja beleza
é apenas o reflexo das estrelas.
Por isto te provoco e te atiro perguntas
como pedras quebrando a impassibilidade do lago,
como pancadas no gongo que estremece e vibra
e te traz à tona para mim.

Não te gosto em silêncio, porque parece que atrás de tua voz
ainda se esconde alguém que tu própria não conheces,
a alguém embuçado a ameaçar nosso sonho
e que só tuas palavras poderão expulsar.
Não te gosto em silêncio, porque preciso ainda de tua palavra
para te descobrir,
lanterna adiante de meu passo, alvorada desenterrando
na noite emaranhada meu indeciso caminho.
Porque preciso ainda que tua palavra chegue como um vento forte
arrastando nuvens, limpando céus e horizontes,
levando folhas doentes, te descobrindo ao sol...
Um dia te gostarei em silêncio. E então me recolherei em teu silêncio,
e procurarei a sombra, como o pássaro na hora da tarde,
e porque o sol estará em nós e nada turvará meu pensamento,
entre tua boca e a palavra haverá apenas o meu beijo."

05 janeiro 2008

Contra a Violência

Recebi no HI5 esta mensagem. É arrepiante. Pediram passar repassar, achei que publicar seria a melhor opção.

O meu nome é ""Sara""
Tenho 3 anos
Os meus olhos estão inchados,
Não consigo ver.

Eu devo ser estúpida,
Eu devo ser má,
O que mais poderia pôr o meu pai em tal estado?

Eu gostaria de ser melhor,
Gostaria de ser menos feia.
Então, talvez a minha mãe me viesse sempre dar miminhos.

Eu não posso falar,
Eu não posso fazer asneiras,
Senão fico trancada todo o dia.

Quando eu acordo estou sozinha,
A casa está escura,
Os meus pais não estão em casa.

Quando a minha mãe chega,
Eu tento ser amável,
Senão eu talvez levaria
Uma chicotada à noite.

Não faças barulho!
Acabo de ouvir um carro,
O meu pai chega do bar do Carlos.

Ouço-o dizer palavrões.
Ele chama-me.
Eu aperto-me contra o muro.

Tento-me esconder dos seus olhos demoníacos.
Tenho tanto medo agora,
Começo a chorar.

Ele encontra-me a chorar,
Ele atira-me com palavras más,
Ele diz que a culpa é minha, que ele sofra no trabalho.

Ele esbofeteia-me e bate-me,
E berra comigo ainda mais,
Eu liberto-me finalmente e corro até à porta.

Ele já a trancou.
Eu enrolo-me toda em bola,
Ele agarra em mim e lança-me contra o muro.

Eu caio no chão com os meus ossos quase partidos,
E o meu dia continua com horríveis
palavras...

"Eu lamento muito!", eu grito
Mas já é tarde de mais
O seu rosto tornou-se num ódio inimaginável.

O mal e as feridas mais e mais,
"Meu Deus por favor, tenha piedade!
Faz com que isto acabe por favor!"
E finalmente ele pára, e vai para a porta,

Enquanto eu fico deitada,
Imóvel no chão.

O meu nome é "Sara"
Tenho 3 anos,
Esta noite o meu pai *matou-me*.

16 agosto 2007

Desabafo

E cada vez mais a confusão.
Não sei o que quero, tu sabes. Todos sabem. Alguns andam enganados.
Tento esconder-me atrás do trabalho, a velha desculpa agora aplicada à minha nova rotina.
Rotina, o meu medo.
Para cada lado que me viro um rol de novas dúvidas.
Os meus pilares estão a degradar-se.
E porquê continuar?
Choro, finalmente choro.
Ao menos um desabafo silêncioso, físico, que me faz sentir uma sensação concreta: esse inchaço encoberto pelos óculos de sol.
Quero de volta os meus sonhos.
Quero um propósito.
Quero lamber as minhas feridas sossegada para mostrar orgulhosa as minhas cicatizes.
Mas para quando as cicatrizes?
Quero-te vida!
Mas estás tão estranha...

15 julho 2007

Fui ao Teatro

Fiz uma pausa oficial no estudo e fui ao teatro.
A peça: "A Outra e o Triângulo" em exibição no Auditório Carlos Paredes.

Um espetáculo assemelhado a uma stand-up comedy que durante uma hora nos faz rir com os comentários que ao longo da peça um dos personagens faz ao que acontece no Triângulo que retrata as relações afectivas do século XXI.
Como não podia deixar de ser, fala de traição.
Ficou registado na minha mente uma passagem que fez rir e reflectir os presentes:

"A amante: E porque não te divorcias?
O homem casado: Porque me perderia e se me perdesse como te poderia encontrar?"

Efectivamente divorciou-se. Efectivamente perdeu-se... Para os braços de outra mulher, alheia a este Triângulo. E volta a casa da amante para lhe contar como se perdera com o divórcio. Ela acusa-o de dupla traição: à mulher e a si, à própria amante. Ele simplesmente lhe diz que achava que ela merecia saber, mas que a tinha avisado que se perderia se se divorciasse.


Deixo aqui os meus PARABÉNS à actriz Mariana Sarabua tendo em conta não só o meu carinho pessoal pela mesma, como pelo excelente trabalho que desempenhou, tanto a nível criativo como de representação.

Como nós dizemos Mariana: Muita Merda!

03 julho 2007

Atenção ao Informar-se



Vive-se o mais de informação: o que vemos é o menos; vivemos da fé alheia: o ouvido é a segunda porta da verdade e a principal da mentira. A verdade de ordinário se vê; extraordinariamente se ouve; raras vezes chega no seu elemento puro, muito menos quando vem de longe; traz sempre alguma mistura de afectos por onde passa; a paixão tinge com as suas cores tudo o que toca, seja odiosa, seja favorável; puxa sempre a impressionar; muito cuidado com quem gaba, maior ainda com quem desgaba. É mister toda a atenção nesse ponto para descobrir a intenção de quem medeia, conhecendo de antemão por que razões é movido. Que a reflexão seja contraste do falto e do falso.

Baltasar Gracián y Morales, in 'A Arte da Prudência'

"(...) o que sabemos quando perguntamos(...)"

Perguntar coloca-nos na perplexidade, pois implica ao mesmo tempo saber e não saber. Se perguntamos é porque não sabemos, mas sobre aquilo de que nada sabemos não perguntamos. Afinal, o que sabemos, quando perguntamos? Na pergunta, o que se mostra é o imostrável. No perguntar, o Homem revela que é o ser do intervalo - entre o finito e o infinito - e que está ligado ao Transcendente, pelo menos como questão.
Anselmo Borges

01 julho 2007

«Saber calar faz parte do "código de honra" dos grandes conquistadores - gato miador, mau caçador.»

in Paixão, Amor e Sexo de ALLEN GOMES, Francisco