Há blogs assim... Que nascem sem se preceber ao certo para quê.
Este foi um deles.
Nasceu porque sim.
Nasceu porque os seus antecessores até correram bem.
Nasceu porque um dia me disseram que não devia deixar de escrever.
Mas hoje, mais uma vez, vejo-me a transcrever textos. Não transcrevo as minhas próprias palavras... Essas, continuam perdidas e furagidas pela minha cebeça.
Porque algumas piadas só alguns entenderiam.
Porque outras histórias poderia expor uma realidade que alguns não querem ver exposta.
Porque simplesmente outras nem sequer vale a pena escrever, a não ser como exercício para exorcisar qualquer raiva contida e não libertada.
Talvez a escrita não seja mais o meu forte, mas sim o meu fraco. Ou nem mesmo o fraco, porque inexistente.
Eu sei lá... Por enquanto, insiste-se por cá.
30 abril 2007
Estudo, Criatividade, e Sabedoria Humilde
Descobrirás que não és a primeira pessoa a quem o comportamento humano alguma vez perturbou, assustou ou mesmo enojou. Não estás de modo nenhum sozinho nesse ponto, e isso deve servir-te de incitamento e de estímulo. Muitos, muitos homens se sentiram tão perturbados, moralmente e espiritualmente, como tu estás agora. Felizmente, alguns deles deixaram memórias dessa perturbação. Hás-de aprender com eles... se quiseres aprender. Tal como um dia, se tiveres alguma coisa para dar, alguém há-de aprender contigo. É um belo tratado de reciprocidade. E isto não é instrução. É história. É poesia.
(...) Não estou a tentar dizer-te que só os homens instruídos e com estudos estão preparados para dar alguma coisa ao mundo. Não é verdade. Mas afirmo que os homens instruídos e com estudos, se, para começar, forem inteligentes e criativos, o que infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atrás deles memórias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente têm a paixão de seguir os seus próprios pensamentos até ao fim. E, o que é mais importante, nove em cada dez vezes são mais humildes do que os pensadores sem estudos.
J.D.Salinger, in 'À Espera no Centeio'
(...) Não estou a tentar dizer-te que só os homens instruídos e com estudos estão preparados para dar alguma coisa ao mundo. Não é verdade. Mas afirmo que os homens instruídos e com estudos, se, para começar, forem inteligentes e criativos, o que infelizmente, raramente acontece, tendem a deixar atrás deles memórias mais valiosas do que os homens simplesmente brilhantes e criativos. Tendem a exprimir-se mais claramente, e normalmente têm a paixão de seguir os seus próprios pensamentos até ao fim. E, o que é mais importante, nove em cada dez vezes são mais humildes do que os pensadores sem estudos.
J.D.Salinger, in 'À Espera no Centeio'
O Intelecto Como Exagero
A beleza, a verdadeira beleza, acaba onde a a expressão intelectual começa. O intelecto é já uma forma de exagero e destrói a harmonia de qualquer rosto. Assim que nos sentamos a pensar, ficamos só nariz, ou só testa, ou uma coisa horrível do género. Olha para os homens bem sucedidos em qualquer das profissões eruditas. Como são perfeitamente hediondos! A não ser, evidentemente, na Igreja. Mas a verdade é que na Igreja eles não pensam. Um bispo continua a dizer aos oitenta anos o que lhe mandaram dizer quando era um rapaz de dezoito e, por conseguinte, parece sempre perfeitamente encantador.
Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"
Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"
21 abril 2007
O Amor não Existe sem Ciúme
"Se o ciúme nasce do intenso amor, quem não sente ciúmes pela amada não é amante, ou ama de coração ligeiro, de modo que se sabe de amantes os quais, temendo que o seu amor se atenue, o alimentam procurando a todo o custo razões de ciúme.
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros. O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante."
Umberto Eco, in 'A Ilha do Dia Antes'
Eu julgava não ser ciumenta... Até se dar o BIG BANG!!!
Talvez seja...
Portanto o ciumento (que porém quer ou queria a amada casta e fiel) não quer nem pode pensá-la senão como digna de ciúme, e portanto culpada de traição, atiçando assim no sofrimento presente o prazer do amor ausente. Até porque pensar em nós que possuímos a amada longe - bem sabendo que não é verdade - não nos pode tornar tão vico o pensamento dela, do seu calor, dos seus rubores, do seu perfume, como o pensar que desses mesmos dons esteja afinal a gozar um Outro: enquanto da nossa ausência estamos seguros, da presença daquele inimigo estamos, se não certos, pelo menos não necessariamente inseguros. O contacto amoroso, que o ciumento imagina, é o único modo em que pode representar-se com verosimilhança um conúbio de outrem que, se não indubitável, é pelo menos possível, enquanto o seu próprio é impossível.
Assim o ciumento não é capaz, nem tem vontade, de imaginar o oposto do que teme, aliás só pode obter o prazer ampliando a sua própria dor, e sofrer pelo ampliado prazer de que se sabe excluído. Os prazeres do amor são males que se fazem desejar, onde coincidem a doçura e o martírio, e o amor é involuntária insânia, paraíso infernal e inferno celeste - em resumo, concórdia de ambicionados contrários, riso doloroso e friável diamante."
Umberto Eco, in 'A Ilha do Dia Antes'
Eu julgava não ser ciumenta... Até se dar o BIG BANG!!!
Talvez seja...
23 março 2007
Recta Final do Curso
Depois de um teste de Direito do Trabalho só mesmo uma imperial fresquinha para afogar o desapontamento jurídico! (Dias de sol passados a pensar no teste do final do dia só com remédios destes...)
Mas como não há bela sem monstro, chegou a hora de fecho do Bar Velho, não há direito em Direito! Fechar o bar nesse precioso momento! Esses momentos tristes em que somos postos fora do salão com o subtil apagar e acender de luzes e a menos subtil voz do costume a gritar que vai fechar...
O Bar Velho é o nosso Templo de meditação profunda, onde todos os baldas se sentam e discutem os assuntos assíduos das nossas conversas.
Mas faltava lá o nosso amigo "homem das jolas", piada residente das aulas de Direito do Trabalho.
Mas como não há bela sem monstro, chegou a hora de fecho do Bar Velho, não há direito em Direito! Fechar o bar nesse precioso momento! Esses momentos tristes em que somos postos fora do salão com o subtil apagar e acender de luzes e a menos subtil voz do costume a gritar que vai fechar...
O Bar Velho é o nosso Templo de meditação profunda, onde todos os baldas se sentam e discutem os assuntos assíduos das nossas conversas.
Mas faltava lá o nosso amigo "homem das jolas", piada residente das aulas de Direito do Trabalho.
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